terça-feira, 18 de agosto de 2015

Que importância tem para você?




Num velório, observando as pessoas que íam e vinham, os grupos separados, uns um tanto abalados, outros nem tanto e alguns até, pareciam que estavam numa festa.
Sentada num canto, observava o caixão de madeira escura com detalhes entalhados  de motivos florais e as alças douradas para facilitar o carregamento reluziam debaixo da luz.

Levantei-me vagarosamente, aproximei-me do caixão observei o corpo que ali estava, imóvel, frio, apagado, as marcas da vida em seu rosto cansado traduziam o final de uma jornada. Fiquei parada ali em pé por alguns instantes, fazendo a mesma pergunta que fazia quando era criança, pra que a gente vive?

Olhando as pessoas e os grupos e era inevitável ouvir os comentários,uns diziam que o falecido era uma grande pessoa, outros diziam que não o conheciam muito bem, uns até narravam algumas desavenças, etc. Foi então que olhei para o caixão e me perguntei, que importância tem isso para ele? 
Todos se remoendo, uns por mágoa, outros por remorso, uns pensando na herança, outros pensando no que fazer.
Mas que importância tinha isso para ele?
Foi então que me veio essa conclusão.
Não importa o que os outros pensam, não importa o que os outros falam, não importa o que os outros façam. Quando morrer será, você com você mesmo. Parado, inerte, sem respiração, sem vida e sem NADA!
Para de arrogância, de falatório, de fuçar a vida de quem não está nem aí com você. Para de viver a vida dos outros, para de fingir uma vida de comercial de margarina, porque ela NÃO existe. Para de ser vítima de você mesma (o).

No velório foi onde eu vi a maior de todas as hipocrisias, pessoas chorando e reivindicando amor  e respeito que elas não plantaram.  
E o féretro, ali, paradinho. 
Nada é mais importante do que sua paz e você só pode ter paz se cultiva-la, não queira colher aquilo que não planta.
Ali no caixão, não importava mais as pessoas que ela não gostava, não importavam as brigas que ela teve, muito menos as maldades que fizeram contra ela e eu pude ver que isso não importa mesmo.

Poderiam gritar lá dentro que ele não ouviria, compreendi que o que faz mal é acreditar nas coisas ruins que dizem a seu respeito. Não é o que dizem que faz mal, mas sim acreditar nisso. 

Então, eu passei a me dar como morta para muita gente e isso foi uma bênção. Gritem, esbravejem, aterrorizem, me julguem, me culpem, deduzam, sondem, mas não me assumo responsável pela guerra que você está travando dentro de você mesmo.
Não me mandem flores, meu velório já passou. 

Márcia Hany

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